Danille Jacob
Danielle Jacob

Densas imagens de ricas idéias


Oscar DAmbrosio

Jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA)


A inquietação de criar é uma marca registrada do trabalho da artista plástica Danielle Jacob. Isso lhe permite desenvolver diversas séries, muitas vezes gerando uma saudável contaminação de uma para outra, construindo um processo marcado pela busca constante de soluções visuais para seu turbilhão de idéias.Suas obras mais recentes apresentam características que já integram pesquisas em desenvolvimento. Elementos geométricos, como faixas retangulares horizontais e verticais, manchas abstratas, texturas, feitas com diversos elementos, como areia e papel, e colagens de jornais e tecidos integram esse universo.A marca pessoal do artista, porém, está na presença de "homenzinhos", realizados com estrema delicadeza, com o traço distintivo de quem tem no desenho o seu berço artístico. Eles dão a cada obra uma intensa vida e indicam como a arte pode ser sempre pessoal quando desenvolvida com seriedade e empenho constante. A força de Danielle Jacob é visível na maneira de controlar o acaso das manchas e no lidar com suas telas em branco e preto. Existe no resultado um encantamento que dá à impressão de simplicidade na feitura. O que ocorre é o contrário: gerar a idéia de que o trabalho foi feito com facilidade é o desafio mais difícil.




Escalando


Roseli Hoffmann Schmitt

Critica de ArteCoordenadora e curadoraGaleria Municipal de Arte de Blumenau


A serie pode ser sintetizada na pergunta: Quem escala o que e por quê "O foco desta serie "Escalando" e a relação entre o homem e o trabalho, mais precisamente a tecnologia. Vivemos na era da informação, do conhecimento. Pessoas não informadas e em constante atualização não têm chance, ficam no caminho, não fazem parte do processo de seleção e recrutamento, ficando literalmente para trás. Hoje muitos não conseguem nem tirar dinheiro no banco. Os caixas automáticos criaram uma nova linguagem de comunicação. Na internet, ao entrar nos chats, a linguagem escrita e outra,com inserção de símbolos e quebra da estrutura escrita. Uma linguagem especifica. O analfabetismo nos tempos atuais e outro. Analfabeto não e mais aquele que não sabe ler ou escrever a língua mãe, mas aquele que não conhece a linguagem da informática. Fato semelhante e o da exclusão, que não se da mais pela cor ou pelo credo como a conhecemos através da historia da humanidade, mas pela tecnologia, ou melhor, pela informáticaSomos dependentes da informática. Se o sistema estiver fora do ar, tudo para. Cessa o trabalho nos bancos, nos aeroportos, nas industrias, nos laboratórios de pesquisa, nas telecomunicações, na medicina.... Só para citar alguns setores. As obras de arte de Danielle Jacob registram esta nossa época de tecnologia, de conhecimento, onde poucos têm vez, poucos escalam na vida, poucos conseguem trabalho, a maioria cai, perde o emprego quando não se atualiza.O suporte dos seus trabalhos e o disquete. Nos trabalhos há interferência da tinta acrílica, fita adesiva, arame e argolas.Com tinta branca a artista insere signos em forma humana, que em sua composição e distribuição sugerem leituras e conexões com a competição humana, a ambição, as novas pesquisas no âmbito da construção de conhecimento, a rede neural, enfim, suas obras estão plugadas no tempo contemporâneo. Esse mesmo signo esta presente em uma instalação de chão, que pode e deve ser alterada na sua forma pelo espectador. Desta vez o signo não e pintado, mas composto de arames brancos. Mudam-se os períodos, as formas, mas não nos desprendemos da informática.Estes signos brancos, presentes na maioria de suas obras, possuem uma simbologia universal: A forma humana. Ora de braços estendidos pedindo socorro, ora sentados, desanimados de tanto buscar informação e não conseguir entender, outros caindo, empurrando e suspensos. Todos tentando chegar ao todo, escalando.Estes signos, de longe, representam um aglomerado, e na medida em que nos aproximamos, deparamo-nos com figuras solitárias. Segue depressa porque atrás vem gente ? e a melhor expressão para designar a constante busca pelo conhecimento e aprimoramento. Nos vivemos sozinhos no meio da multidão.Outra serie interessante e composta por telas costuradas mostrando uma rede muito fina que aprisiona o ser humano. A rede e a tecnologia. Sem ela não vivemos mais. Nos nos aprisionamos na tecnologia, como mostra a rede,e nela escalamos a vida. O fundo mostra a velocidade com que a informática se desenvolve, e nos estamos no meio deste turbilhão, ou furacão.Estes tempos da informação e do conhecimento não são regionalismos, localismos, mas são universais, tão bem colocados pela instalação de chão, na serie de mapas. Chegar ao topo? Não sabemos as incertezas, as constantes buscas pelo conhecimento nos deixam com uma sensação de estarmos suspensos por um fio de náilon, pronto para se romper. Como na instalação em forma de triangulo e disposto em L. apesar da leveza dos trabalhos, esta impregnada do momento atual, de estresse, de ambição, de competição, de menosprezo.Este e o resultado estético e conceitual da obra de Danielle Jacob, de extrema contemporaneidade.Livre, leves e soltos , a falsa aparência do mundo contemporâneo.